A decisão do Japão de ampla flexibilização monetária com a injeção de US$ 1,4 trilhão na economia é um cala-boca nos críticos da nossa política fiscal, cambial e monetária. O Banco Central e o governo japonês atuam em dupla; não escondem. Simplesmente inundam o mercado com essa quantia toda menos de dois anos.
O Banco do Japão vai comprar 7 trilhões de ienes de títulos governamentais a cada mês para reativar a demanda e aumentar os preços e os salários. É isso mesmo, para reativar a economia, mas também – prestem atenção – para aumentar preços e salários.
Mais do que isso: dobrará a base monetária do país (quantidade de dinheiro que circula na economia e as reservas existentes) para alcançar uma inflação de 2% ao ano. O Japão tenta acabar com a deflação que persiste no país há 15 anos.
Como a economia japonesa é um terço da norte-americana, dá para se ter uma ideia da grandeza do pacote. Após a crise de 2008, os EUA irrigaram o mercado com US$ 85 bilhões por mês. O Japão, agora, põe US$ 70 bilhões ao mês.
O governo busca com incentivos um aumento real dos salários e do consumo, direto na veia. E o Japão também vai comprar ativos com vencimento em até 40 anos, para reduzir o custo dos empréstimos.
E não dá para esquecer o fato de que o Japão é mais um país que usa a política monetária para desvalorizar o câmbio. O país vive enormes déficits comerciais e precisa que as exportações reajam. Por isso, o pacote anunciado ontem tem também o efeito de desvalorizar a moeda. Ontem, o iene perdeu 3,5% em relação ao dólar e 4,1% diante do euro.
Já aqui no Brasil, nossos rentistas e o tucanato não param de gritar histericamente contra as medidas anticíclicas do governo, como se estivéssemos cometendo uma heresia. Vivem num mundo que não é o real.
Zé Dirceu via seu Blog
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