terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Ex-ministro de Lula e Dilma abre Congresso de agricultores do RN na quarta

Evento da FETARN que será realizado no município de Nísia Floresta tem como tema: “Unificar a luta, manter direitos e ampliar conquistas”.

Ex-ministro dos governos Lula e Dilma, que chegou a ser considerado um dos 60 homens mais poderosos do Brasil, Gilberto Carvalho é uma das presenças mais aguardadas do 10º Congresso da FETARN - Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte – que acontecerá entre os dias 21 e 23 de fevereiro no Centro de Eventos Mardunas, em Nísia Floresta, reunindo agricultores de quase todos os municípios potiguares. 

O evento, que tem como norte o tema: “Unificar a luta, manter direitos e ampliar conquistas”, terá como ponto alto a sua abertura, quando o ex-assessor e ex-conselheiro de Lula fará uma análise da conjuntura política atual e explanará, junto a delegados da FETARN, sobre comunicação popular para base. Segundo o presidente da FETARN, Manoel Cândido da Costa, esse momento de debates e busca de organização da categoria para lutar por melhorias é fundamental para o futuro da atividade no Brasil.

Segundo destaca, os trabalhadores rurais e agricultores sofrem com o crescente êxodo rural, queda vertiginosa de recursos do plano safra, extinção de créditos fundiários, fim das desapropriações, além de fortes ameaças à atividade com as reformas da previdência e trabalhista em trâmite no Congresso Nacional, dentre várias medidas governamentais que consideram prejudiciais aos agricultores.

Congresso da FETARN e da agricultura familiar

A partir de quarta-feira próxima, dia 21 de fevereiro até o dia 23, sexta-feira, acontecerá o Congresso da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte, a única Federação reconhecida como tal da categoria, pelo Ministério do Estado do Trabalho e Emprego, com capilaridade praticamente em todos os Municípios do Estado.

O evento será realizado no centro de eventos e Hotel Mardunas, localizado no Município de Nísia Floresta/RN, com acesso por São José de Mipibú/RN, com uma expectativa de comparecimento de trezentos e cinquenta delegados eleitos nas plenárias regionais dos polos sindicais organizados nas regiões do Estado pela Federação, presidida por Manoel Candido da Costa, e que foi preparada com todo o cuidado e zelo. 

O tema geral do Congresso é bastante sugestivo, “Unificar a luta, manter direitos e ampliar conquistas”, e está sendo muito esperado para a palestra de conjuntura que será proferida por Gilberto Carvalho, Ex-Ministro da Casa Civil do Governo Dilma, conselheiro e amigo do ex-presidente Lula, que esteve presente em Natal diversas vezes, uma das últimas oportunidades em um debate para serem ouvidos os reclamos dos movimentos sociais, articulados pela CUT/RN, na presidência de José Rodrigues Sobrinho, um dos líderes histórico do movimento campesino do Estado.

O tema proposto para o congresso, com subtemas sobre a reforma Agrária, crédito agrícola, programas para agricultura familiar, previdência social, questões trabalhistas diante da reforma conservadora, que precarizou as relações de trabalho, serão analisadas pelos delegados congressistas, e ao final do Congresso será eleita à nova diretoria, para um mandato de mais quatro anos, que será iniciado em 2018, com a garantia de uma renovação mínima de trinta por cento dos membros conforme estabelece os estatutos sociais da entidade sindical.

Em face do Governo Michel Temer com políticas completamente voltadas para os setores das classes privilegiadas da sociedade, principalmente para o rentismo, retirou direitos, fragilizou os recursos de programas como o PRONAF, PAA, GARANTIA SAFRA, PROGRAMA DE CISTERNAS
e a baixa quantidade de terras desapropriadas para fins de reforma agrária, e a tentativa de desmantelamento da previdência social rural, chegando as raias de tentar coloca-los na assistência social, provocou a mobilização do segmento, esclarecendo a população da maldade.

Assim diante do contexto, o tema reflete muita sabedoria, de Unificar a luta, inclusive orgânica da instituição, unindo todos os setores diante da pluralidade existente, como também, realizou a CONTAG, manter os direitos, obtidos em face de muitas lutas aguerridas em anos a fio, e ampliar conquistas, como todos os setores da sociedade desejam, haja vista que mais de cinquenta por cento do orçamento nacional é arrancado da população que ganham até três salários mínimos. Vamos esperar os resultados.

Evandro Borges
Advogado

Sindicato de Jandaíra realizará segunda etapa do curso de informática básico

Já estão abertas as inscrições para o curso de informática básico com  certificado de conclusão através do STR Jandaíra (Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Jandaíra). O curso é para quem possuem notebooks com sistema operacional windows 7, 8, 8.1 e windows 10.

Terá inicio dia 12 de março as 13:00 horas, no auditório do STR de Jandaíra. Acontecerá nas segundas e quartas-feiras, de 13:00 ás 16:00 horas. O curso teve inicio ano passado em sua primeira etapa

Inscrição de R$ 20,00 com mensalidades de R$ 30,00.

Inscreva-se já
  
Quem estiver interessado falar com Brena Kesia no (84) 98628-0407 ou procurar o Sindicato com João Batista, no (84) 98712-8340. E atenção, os associados em dia com suas mensalidades terão descontos de R$ 10,00 na mensalidade do curso mensalmente.

Fátima: RN não pode ser excluído do programa de cisternas para o semiárido



Em reunião com representantes da Articulação do Semiárido Potiguar - Asa Potiguar, a senadora Fátima Bezerra informou que cobrou explicação do Ministério do Desenvolvimento Social sobre a exclusão do Rio Grande do Norte do plano de trabalho elaborado pela Associação Programa Um milhão de Cisternas para o Semiárido. Participaram do encontro o coordenador da Asa Potiguar, Marcírio de Lemos; o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica Piancó/Piranhas/Açu, José Procópio de Lucena; e a deputada Zenaide Maia.

O Estado do Rio Grande do Norte foi aprovado com dois projetos no edital de chamamento público nº 3 de 2017, que selecionou projetos de implementação de tecnologias sociais de acesso à água para consumo humano em escolas e domicílios localizados na zona rural na região do Semiárido. 

Dados divulgados recentemente mostram que, dos 163 municípios do Rio Grande do Norte, 95 estão sofrendo com a escassez de água. “A exclusão do Rio Grande do Norte do plano de trabalho contribuirá ainda mais para o agravamento da escassez de água para os pequenos agricultores, que sofrem há mais de seis anos com a pior de seca no Semiárido. Estamos mobilizando toda bancada para, juntos, tentarmos solucionar a questão, pois sabemos da importância e da eficiência do programa de cisternas, que não é somente um mecanismo de armazenamento de água, mas de distribuição”, explicou a senadora Fátima Bezerra. “O assunto já foi encaminhado para o coordenador da bancada, deputado Felipe Maia, e estamos aguardando uma audiência no MDS para discutir o assunto”, completou.  

Presidente da CONTAG abre Congresso da FETARN nesta quarta


Porta-voz dos anseios e das propostas do Movimento Sindical dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais (MSTTR) e responsável pela interlocução com o Governo Federal, Congresso Nacional, universidades, organizações da sociedade civil e mídia, o presidente da CONTAG - Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares, Aristides Veras dos Santos, é uma das presenças mais aguardadas do 10° Congresso da FETARN - Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte que acontecerá desta quarta à sexta-feira (21 a 23) no Centro de Eventos Mardunas, em Nísia Floresta.

No Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais desde 1985, o pernambucano, nascido em Tabira, Região do Sertão, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de seu município, vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores – CUT de Pernambuco, presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado de Pernambuco (FETARN), entre outros cargos na própria CONTAG, que hoje preside, e concilia a ação sindical com uma atuação político-partidária. Ajudou a criar o Partido dos Trabalhadores (PT) no seu município e disputou a prefeitura em 1988. Foi vereador (de 1997 a 2004) e vice-prefeito de Tabira (de 2004 a 2008).

Com capacidades adquiridas ao longo dessa trajetória, Aristides explanará sobre políticas sociais e legislações que impactam a atividade, como lei de terceirização, crescente êxodo rural, queda vertiginosa de recursos do plano safra, extinção de parte das políticas para o crédito fundiário, fim das desapropriações, além de fortes ameaças à atividade com a reforma da previdência ainda sem definições claras no Congresso Nacional, dentre várias medidas governamentais que consideram prejudiciais aos agricultores. 

Segundo o presidente da FETARN, Manoel Cândido da Costa, esse momento de debates e busca de organização da categoria para lutar por melhorias é fundamental para o futuro da atividade no Brasil. O evento tem como tema: “Unificar a luta, manter direitos e ampliar conquistas”. Também entram na pauta de discussões do Congresso: agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional, reforma agrária e meio ambiente, além de políticas agrícolas e a situação do homem do campo no Rio Grande do Norte, após sete anos de estiagem. 

ELEIÇÃO

No último dia do evento, será realizada a eleição da nova diretoria da FETARN para o mandato de quatro anos (2018-2022). Segundo prevê o estatuto da entidade, haverá renovação de pelo menos 30% dos membros.

A FETARN:

Fundada em 15 de junho de 1962, a FETARN é uma entidade constituída para fins de estudo, defesa e coordenação dos interesses coletivos e individuais da categoria. Atualmente, representa, direta e indiretamente, na sua base, um público estimado em mais de 360 mil trabalhadores rurais. 

São mais de 243 mil filiados de 163 sindicatos que se organizam estrategicamente em 10 polos sindicais (Alto Oeste, Médio Oeste, Seridó, Trairí, Mato Grande, Vale do Assú, Potengi, Canavieiro, Grande Natal e Central). A Federação desenvolve as atividades políticas por meio de secretarias temáticas, que atuam nas políticas: Agrícola, Agrária, Sociais, Formação e Organização Sindical, Meio Ambiente, Mulheres, Juventude Rural e Terceira Idade.

Ascom FETARN

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Assim como em todo estado carnaval com muita chuva em Jandaíra, somente ontem foi registrado 80 mm


Assim como em todo estado o carnaval foi de muita chuva em Jandaíra. De acordo com registros do pluviômetro no Assentamento Guarapes, entre o dia 10 e 14 foi registrado 77 mm. 

Já ontem, 15, no Assentamento Guarapes foi registrado 26 mm e na comunidade do Cabeço (Sitio Pitangas da Jandaíra), 80 mm. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Diretoria do STR Jandaíra firma parceria para mobilização do Projeto Mulheres Flor do Campo




A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Jandaíra (STR Jandaíra) estiveram em reunião nesta manhã (07), para discutir e celebrar parceria com a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica do RN (ABMCJ/RN). A parceria proporcionará uma série de ações do que desrespeito ao apoio e defesa dos direitos das mulheres do município de Jandaíra via o “Projeto Mulheres Flor do Campo”, sobre tudo das mulheres agricultoras familiares.

Estiveram presente a presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica no RN, Doutora Andreia Nogueira, Doutora Rossana Ferreira e Doutor Evandro Borges, também advogado.

ABMCJ

A Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica é uma organização não governamental de caráter cultural, sem fins lucrativos, fundada em Belo Horizonte (MG) no ano de 1985. São mais de três mil associadas, provindas de cargos e ocupações de natureza jurídica – advogadas, ministras , magistradas, promotoras de justiça, procuradoras, professoras, universitárias, delegadas, entre outras.

É vinculada por adesão voluntária, à Fédération International des Femmes des Carrières Juridiques (FIFCJ), sediada em Paris, organização internacional não governamental que se inspira nos princípios inscritos na Carta das Nações Unidas, tem estatuto consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da ONU e à FAO, desde 1961, colabora com a UNESCO, a UNICEF, a UNIFEM, tem inscrição no Registro Especial da OIT.

É por muitos considerada a maior ONG feminina do planeta, entre outros motivos por filiar associações nacionais como a ABMCJ e membros individuais em 79 países na Europa, América, Ásia e África.




A união e a persistência geram resultados, lombadas são construídas em Jandaíra e no Assentamento Guarapes


A persistência do mandato do vereador Tércio Câmara com o apoio e a soma de vários esforços dentre eles, da prefeitura municipal, de comerciantes locais, da comunidade, dos demais vereadores e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) fez desenterrar as lombadas físicas do perímetro urbano de Jandaíra e nas imediações do assentamento Guarapes.

Esses dois trechos já foram palco de vários acidentes com vítimas fatais deixando assim muitas famílias jandairenses órfãs. O vereador Tércio Câmara vem articulando e caningando os entes envolvidos, inclusive o DNIT desde 2017, muita gente não acreditava, mas prometeu, lotou e agora há a ação de concreto. Sem falar que no perímetro de Jandaíra está localizada as três maiores escolas do município, ou seja, além dos acidentes ocorridos ano passado graças a Deus não aconteceu muito pior.

Já no Assentamento Guarapes a última vítima fatal interou o saldo de 2017 e claro é um trecho histórico de vários acidentes e mortes e quase todos está ligado a imprudência por alta velocidade.

O vereador aproveitou pelas redes sociais para agradecer a prefeitura na pessoa da prefeita Marina Dias pelo apoio, aos comerciantes, aos demais vereadores e ao DNIT.

De minha parte como cidadão parabenizo ao vereador e a todos envolvidos, melhor que fosse uma lombada eletrônica, mas já que não foi possível há de se reconhecer o esforço de todos pelo que foi possível. Embora alguns ainda ache estranho e se envolvam em acidentes, como aconteceu no primeiro dia de ontem, mas há sinalização e é dever de qualquer condutor respeitar um perímetro urbano até mesmo sem sinalização, quanto mais sinalizado igual ficou as referidas lombadas e os trechos.

Finalizo dizendo o seguinte, costumo dizer que o gestor ou qualquer figura pública quando houver de pecar, a preferencia que seja por excesso, ou seja, fazendo ao povo, pior é a omissão quando se pode fazer alguma coisa e por essa omissão as vezes muitas vidas poderiam e podem serem salvas e essa ação tem como resultado exatamente isso, por isso parabéns a todos e a todas.

PERÍMETRO DE JANDAÍRA





ASSENTAMENTO GUARAPES/INCRUZILHADA










Roberto Requião: "Há tempo que a ciência e os fatos da vida comprovam que nada é por acaso".

No entanto, embora a ideia medieval da abiogênese, a “geração espontânea”, seja a representação paradigmática daqueles tempos trevosos, ainda hoje a proposição do espontaneísmo resiste e é amplamente aceita, quando se trata da política ou mesmo da economia.

Diariamente, a mídia empresarial espalha a intrujice de que do acúmulo de lixo nascem insetos e ratos, que é possível originar vida de matéria não viva.

Se Humberto Eco foi assertivo ao dizer que a internet liberou infindáveis legiões de néscios, ele esqueceu de acrescentar à turma os comentaristas e ditos analistas de política e economia que infestam as televisões, rádios e jornais da mídia comercial e monopolista.

É notável a incapacidade de raciocinar, de somar dois com dois.

Gramsci dizia que não existe o canalha absoluto, que o canalha absoluto é uma criação ficcional.

Essa generosidade do filósofo que sofreu no corpo debilitado os horrores do fascismo sempre me impressionou.

Então, se concedemos que nem todos sejam canalhas plenos, integrais, resta outra suposição: a burrice córnea.

A ceratina penetrou de tal forma na cabeça dessa gente que as tornou duras, resistentes, impermeáveis à verdade dos fatos.

Se, ato contínuo à ampliação de nosso mar territorial de 12 para 200 milhas marítimas, em 1970, sob Garrastazu Médici, os norte-americanos movimentam sua IV Frota — por mais que o governo militar fosse um aliado incondicional– não o fazem para competir com os franceses na pesca da lagosta.

Se, sob Ernesto Geisel, em 1975, de repente, os Estados Unidos tornam-se guardiões dos direitos humanos e pressionam a ditadura brasileira, não é porque a tortura, os assassinatos, o desaparecimento de opositores os preocupassem, e sim os acordos nucleares do Brasil com a Alemanha.

Mais recentemente, quando os norte-americanos grampeiam a presidente Dilma, monitoram suas conversas, perscrutam suas decisões e controlam sua comunicação com ministros, auxiliares e políticos, não estão à procura da receita de sua dieta para emagrecer.

Quando os serviços de espionagem dos Estados Unidos invadem, vasculham, devassam todas as informações da Petrobrás, não são os Cerveró, os Duque, os Paulo Roberto Costa, os Youssef, os Barusco ou os Sérgio Machado que os mobilizam.

A corrupção é um segredo de polichinelo, o pré-sal o prêmio.

Se, antigamente, a Escola das Américas era o centro formador dos torturadores, dos assassinos estatais, dos sabotadores dos governos populares e nacionalistas, hoje, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em cooperação com o FBI, a CIA, a NSA, encarrega-se de seduzir, domesticar e abduzir juízes, procuradores e policias.  E políticos é claro.

A produção de cabos Anselmo não foi interrompida, sofisticaram-se os meios e os métodos. Ao invés dos sicários a soldo, temos os heróis de almanaques.

Os super-juízes, os super-procuradores, e, como contrafação, já que nenhuma exageração escapa do ridículo, temos o japonês da federal. E o coreano do MBL.

Quando o presidente Lula sanciona, em 2010, a Lei da Ficha Limpa e a presidente Dilma, em 2013, assina a Lei das Organizações Criminosas, disciplinando a delação premiada; quando se desequilibra a harmonia entre os poderes, e produz-se a hipertrofia do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal; quando o presidencialismo de coalizão cede a um Parlamento que se transformou em mandalete dos financiadores de campanha; quando o presidente Lula coloca no Banco Central e no Ministério da Fazenda homens de confiança do mercado financeiro; quando a presidente Dilma, na crise de 2013-2014, adota políticas neoliberais, aprofundando a crise; quando tanto um como outro presidentes constrangem-se diante das pressões da mídia monopolista e comercial e fogem de adotar aqui as mesmas legislações que os norte-americanos e alguns países europeus  adotaram para democratizar os meios de comunicação; quando tudo isso somado produz um salto qualitativo, temos o golpe e seu corolário de horrores: a alienação da soberania nacional, a entrega do petróleo, dos minérios, das terras, da água, a destruição da República Social, a sabotagem da Petrobrás, as privatizações. E o aceleramento da marcha da desindustrialização e da precarização da ciência e da tecnologia.

Na divisão internacional do trabalho é o papel que nos reservam: celeiro do mundo, exportador de grãos e de matérias primas minerais, fornecedor de petróleo. E de água! Afinal, vimos em Davos a Nestle e a Coca- Cola renovarem a cobiça pelo aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do planeta.

Senhoras e senhores senadores.

Esses são os fatos da realidade. Essa é a verdade que os fatos revelam, por mais que o cinismo e a estultícia da grande mídia tentem perverter e adulterar a natureza das coisas.

Como antídoto para o massacre diário do discurso antinacional, antidemocrático e antipopular que se estabeleceu no país, quero oferecer um texto do professor de Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo, Maurício Abdala, publicado no “Le Monde Diplomatique”.

Os 13 pontos do professor Abdala são uma leitura necessária para quem ama o Brasil e acredita que ainda é possível vencer esses tempos tão sinistros da nossa história.

Vamos ao contraveneno às sandices daqueles que acreditam que do lixo que produzem é possível brotar alguma vida.

Vamos lá.   

1 – O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais.

2 – Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder.

3 – O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais.

4 – Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de “imprensa”, ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder invisível.

Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião.

5 – Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos. Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva. Isso muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro.

6 – O complexo financeiro-empresarial global pode apostar ora em Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro qualquer da política. E pode destruir qualquer um desses de acordo com sua conveniência.

7 – Por isso, o exercício do poder no campo subjetivo, responsabilidade da mídia corporativa, em um momento demoniza Lula, em outro Dilma, e logo depois Cunha, Temer, Aécio, etc. Tudo faz parte de um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições objetivas e subjetivas da conjuntura.

8 – O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros.

9 – Assim, os donos do poder não querem um governo ou outro à toa: eles querem, na conjuntura atual, a reforma na previdência, o fim das leis trabalhistas, a manutenção do congelamento do orçamento primário, os cortes de gastos sociais para o serviço da dívida, as privatizações e o alívio dos tributos para os mais ricos.

10 – Se a conjuntura indicar que Temer não é o melhor para isso, não hesitarão em rifá-lo. A única coisa que não querem é que o povo brasileiro decida sobre o destino de seu país.

11 – Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte), para poder reagir também de maneira estratégica.

12 – A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que realmente importa é o que virá depois.

13 – Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso estão no poder.

Senhoras e senhores senadores. Brasileiros.

Os pressupostos estão aí. Mas essa compreensão incisiva da realidade obriga-nos um passo seguinte: a ação.          

Depois que Hitler invadiu a França, despojando-a de sua soberania, anulando-a como nação, Charles de Gaulle chamou seus compatriotas à resistência, acima dos interesses de cada um. O que estava em jogo era a existência do país, seus valores, suas tradições, suas crenças, sua identidade.        

Até mesmo os contrabandistas que tão bem conheciam as fronteiras da França, até eles foram convocados à grande tarefa de libertação do país.

Não estou insinuando que, no caso da grande tarefa de libertação do Brasil, até corruptos devam ser convocados, mesmo porque boa parte deles estão de papo para o ar, refestelados nos milhões com que foram premiados pela delação.

Convoco os homens e as mulheres que amam este país, que abominam a corrupção e o entreguismo.  

Que rejeitam ser escravos do dinheiro; que não aceitam a prevalência do capital financeiro sobre o capital produtivo.

Que não querem ver esse país tão rico transformado em uma plantation colonial, a ofertar ao mundo desenvolvido grãos, minérios, petróleo, terras e água.

Que não querem ver os nossos trabalhadores transformados em mão de obra semiescravizada, para o desfrute global.

Com Shakespeare e Henrique V, antes da batalha de Agincourt, encerro dizendo: aqui estão os brasileiros que deviam estar. E os que não estiverem vão se arrepender até o fim de suas vidas não terem estado conosco.

Nada temos a perder, pois o que tínhamos está sendo surrupiado, desbaratado e vendido a preço de banana pelos entreguistas do Brasil, com a prestimosa colaboração de alguns tolos que se arvoram em heróis da pátria."

Roberto Requião, Senador pelo PMDB/PR

Parlamentares iniciam o ano legislativo com mobilizações contra a reforma da previdência



No retorno das atividades legislativas, a bancada da oposição e aliados organizaram, nesta terça-feira (6), um ato contra a reforma da previdência e em defesa da democracia. O ato reuniu trabalhadores, centrais sindicais e parlamentares de diversos partidos.

Em nome da bancada do PT no Senado, a senadora Fátima Bezerra afirmou que a proposta, se aprovada, ampliaria as desigualdades sociais no país. "O ato foi grandioso em termo de representatividade, de mobilização e de resistência contra a reforma da Previdência. Nós sabemos que o golpe parlamentar de 2016 continua em vigor no país, com ataques a democracia e retirando direitos da classe trabalhadora. Mas, felizmente a mobilização e a resistência estão falando mais alto em todo o país. Nosso grito é de muita luta e de resistência”, disse.

Para a senadora potiguar, a reforma da previdência fere um direito sagrado oferecido a classe trabalhadora, que é o direito a uma aposentadoria justa e digna. “A CPI da previdência mostrou que não existe déficit na previdência. Os problemas que apresenta a previdência são frutos de sonegações de impostos e das desonerações. É precisar combater os sonegadores e banqueiros que são os principais devedores da previdência social. O governo tem é que divulgar a lista dos sonegadores e devedores da previdência, e não colocar as dificuldades nas costas dos servidores públicos”, defendeu.

Além da senadora Fátima Bezerra, o Rio Grande do Norte estava representado pela deputada Zenaide Maia.